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Motivo de compra do cliente: como descobrir por que ele te escolhe

28 de set.
4 min de leitura

Você sabe por que seu cliente te escolhe? A maioria das empresas e profissionais liberais não sabe, e isso custa caro.


Faça um teste rápido: complete a frase "Meus clientes me escolhem por causa de ___".


Se você escreveu qualidade, atendimento, confiança ou preço justo, tenho uma má notícia. Seu concorrente escreveria exatamente a mesma coisa. E quando todo mundo dá a mesma resposta, ela não diferencia ninguém.


Entender o motivo de compra do cliente é uma das poucas coisas que mexem ao mesmo tempo com posicionamento, comunicação, preço e vendas. E é justamente o que quase ninguém investiga direito.


Quanto custa não saber o motivo de compra do seu cliente

Quando você não sabe por que é escolhido:

  • Comunica o que não importa. Você grita "qualidade" enquanto o cliente decidiu por outra razão.



Por que perguntar "por que você me escolheu?" não funciona

Muita gente faz a pergunta direta. E o cliente responde: "Qualidade. O atendimento. Vocês são muito bons."

Ele não está mentindo de propósito. O cérebro dele está fazendo o que faz de melhor: economizar energia.


A pergunta exige que ele reconstrua as causas de uma decisão que, em boa parte, foi tomada de forma intuitiva. Nem sempre existe acesso consciente a esses motivos. O trabalho clássico de Nisbett e Wilson (1977) mostra que as pessoas costumam explicar o próprio comportamento com justificativas plausíveis, e não com as causas reais.


Então, em vez de investigar a fundo, o cérebro pega atalhos. Três deles aparecem aqui:

Viés da disponibilidade: a pessoa responde com o que vem mais fácil à mente, ou seja, o que já ouviu em anúncios, sites e conversas. "Qualidade" e "atendimento" são as respostas mais disponíveis do mercado.
Viés de desejabilidade social: ela responde o que é agradável de ouvir. Ninguém diz "te escolhi porque estava com medo" para quem está na frente dele.
Substituição de atributo: a pergunta difícil ("qual foi o motivo real da minha decisão?") é trocada por uma fácil ("o que costuma ser um bom fornecedor?").

Resultado: você recebe uma resposta educada, genérica e inútil.



Como descobrir o motivo de compra real: mude o formato da conversa


Se você muda o formato da pergunta, o cérebro muda o modo de resposta. Em vez de pedir uma avaliação, peça uma história.

Teste isso numa conversa descontraída, num café ou no meio de um papo depois de um atendimento, e não num formulário de satisfação. O foco muda, e a pessoa solta informações valiosíssimas que nunca sairiam numa pesquisa formal.


Perguntas que funcionam:

  • "Lembra como você me conheceu?"

  • "O que estava acontecendo na sua vida (ou na sua empresa) quando você decidiu procurar alguém?"

  • "Você chegou a olhar mais alguém? O que fez você não seguir com eles?"

  • "Teve algum momento em que você pensou: 'ok, é com essa pessoa'?"

  • "Quando você me indica, o que você fala?"


Ao contar uma história, a pessoa acessa memórias concretas: o que sentiu, o que temia, o que viu, o que a convenceu. Ela para de tentar responder certo e começa a lembrar.


Exemplo (hipotético, para ilustrar): um cliente diz que escolheu uma advogada pelo "atendimento". Numa conversa informal, ele conta: "Eu estava apavorado com o processo, mandei mensagem às 22h e ela me respondeu explicando o que ia acontecer nos próximos passos."

O motivo real não era "atendimento". Era redução de incerteza. E isso muda tudo: a comunicação, a oferta, o primeiro contato, o que você destaca no site.



Um cuidado importante

Uma conversa não é prova, é pista. A história de um cliente é uma hipótese. Quando o mesmo padrão aparece em 8 ou 10 clientes, você tem um sinal forte. Não tome decisões estratégicas com base em uma única fala, por mais reveladora que ela pareça.


O que fazer com o que você descobrir


Depois de conversar com alguns clientes, procure padrões e leve para o negócio:

  1. Comunicação: reescreva sua promessa com as palavras que seus clientes usam, não com as do mercado.

  2. Oferta: destaque no seu serviço aquilo que reduz a dor ou o medo que apareceu nas histórias.

  3. Vendas: ajuste o primeiro contato para tocar no momento de decisão que eles descreveram.

  4. Preço: se o motivo real não é preço, pare de tratar desconto como argumento.


O que fica

Seu cliente provavelmente não sabe explicar por que te escolheu, e você provavelmente não sabe perguntar do jeito certo. Enquanto isso, o motivo real, aquele que sustenta suas vendas, continua invisível.

Descubra o que ele realmente valoriza e você para de competir por "qualidade" com todo mundo do mercado.


Esta semana, converse com três clientes. Não pergunte "por quê". Pergunte "como foi".

E depois me conta o que você descobriu. Aposto que não vai ser "qualidade".



Quer descobrir o motivo real pelo qual seus clientes te escolhem, e o que mais está travando suas vendas?

Entre em contato


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